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Inspirado por plantas, esse robô quer salvar vidas com água e oxigênio

Rodrigo Trindade

20/01/2019 10h28

Robô inspirado em plantas consegue se espremer, crescer e tomar formas inusitadas

Faz tempo que cientistas buscam no reino animal a inspiração na hora de criar novos robôs. O UOL Tecnologia já até listou espécies que foram copiadas para invenções da robótica. Agora, pensar em um robô a partir do comportamento de uma planta é menos comum, mas esta foi a referência para pesquisadores das universidades da Califórnia, em Santa Bárbara e Stanford.

Os usos imaginados por Elliot W. Hawkes, Laura H. Blumenschein, Joseph D. Greer e Allison M. Okamura são parecidos com os de diversos robôs-cobra criados por outros colegas. Só que ao contrário de uma cobra, que tem um comprimento relativamente limitado e não "cresce", este robô planta tem um tamanho inicial de pouco mais de 20 centímetros (11 polegadas) que pode se esticar e ficar com quase 72 metros (236 pés).

Ao "Popular Science", Hawkes descreveu como ele pensa que o robô pode se comporar. "Eu lembro de ver uma hera que, com o passar dos meses, cresceu em volta de uma estante buscando a luz", descreveu.

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Para recriar essa planta capaz de crescer e contornar objetos, os cientistas utilizaram polietileno, o plástico dos antigos sacos de supermercado. O material é preenchido com ar por meio de uma bomba de colchão inflável, mas toma forma de acordo com um cabo que fica por dentro da estrutura. No extremo dele, quem estiver no controle do robô pode equipar uma câmera, um sensor ou uma antena.

Os usos podem ser a emissão de um sinal de rádio ou a visualização de locais de difícil acesso, que podem ser alcançados graças à versatilidade do robô, capaz de passar por baixo de portas, se enrolar sobre um cano ou esgueirar entre escombros de algum edifício. Uma função imaginada, graças ao comprimento que essa planta artificial pode chegar e o fato do interior dela ser como o de um tubo, é jogar ar em um ambiente com pouco oxigênio ou até água para um local com foco de incêndio.

"Navegar ambientes por meio do crescimento tem dois benefícios. Primeiro, um corpo que cresce pode atravessar locais bem desafiadores e apertados, porque não há movimento relativo entre o corpo e o ambiente. Segundo, conforme a ponta atravessa o caminho, uma estrutura é formada. Ela pode ter vários propósitos, como comunicação, suporte ou entrega de materiais. Então, ao contrário de pequenos robôs de busca e resgate inspirados por animais, o corpo de um robô que cresce pode servir como condutor de oxigênio ou água a um sobrevivente preso", analisou Hawkes.

Os pesquisadores imaginam que o projeto pode ser adaptado para uso na medicina e pode evoluir no que diz respeito aos materiais que compõe o robô, como nylon resistente a rasgos ou kevlar, uma fibra resistente usada na fabricação de pneus e outros produtos de borracha.

Sobre o Blog

O Roblog é a casa dos robôs mais fofos, descolados e curiosos desse mundão doido. É produzido pela equipe do UOL Tecnologia.