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Robô brasileiro lê expressões, conta piadas e ajuda na operação de empresas

Rodrigo Trindade

03/11/2018 04h00

Tinbot marcou presença na WTM18 (Rodrigo Trindade/UOL)

O Roblog já apresentou um robozinho de origem brasileira. Chegou a hora de apresentar outro, um mais simpático do que o bombeiro Unidroid. Com um quê de Xian'er e Pepper, o Tinbot é um assistente empresarial que foi criado pelo programador Marco Diniz e funciona com uma ampla gama de ferramentas de inteligência artificial.

Ele surgiu como um experimento de Marco dentro da DB1 Global Software, uma empresa paranaense de tecnologia da informação. "O Tinbot surgiu lá como uma experiência para estudar internet das coisas. A primeira versão dele foi com palitinhos de sorvete e cabeça era um celular. Era bem caseiro, meio artesanal", lembrou o programador, que marcou presença com sua criação na WTM18 (Welcome Mobility Conference 2018).

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O projeto experimental de Marco chamou a atenção de colegas de trabalho e clientes da empresa. O programador conta que todos se interessavam pelas funções do robozinho, fosse para testá-lo ou saber como ele foi feito. O senso de humor "meio sarcástico", segundo Marco, também ajudou a máquina a se destacar. Esse interesse fez com que a DB1 tornasse o Tinbot uma startup da própria empresa e virasse um produto versátil, criado para ser programado pelos compradores.

Pequenino, o robô tem sua carcaça feita com impressora 3D e ainda é considerado um protótipo. Mas 18 unidades já foram vendidas a 12 clientes diferentes, que usam o Tinbot para aplicações distintas.

Marco Diniz foi o criador do Tinbot (Rodrigo Trindade/UOL)

Em uma universidade de Maringá, o robô fica na recepção e faz o pré-atendimento dos alunos. Ele questiona as pessoas que chegam se elas são alunas, pais ou fornecedores e, no caso de alunos, traz uma boa variedade de interações. Marco descreveu uma delas, em que o Tinbot lida com uma pessoa que deseja cancelar a matrícula: "Ele pede 'não, por favor, você é muito importante para nós, mas se ainda assim quiser, é no terceiro guichê da direita."

Em um escritório de contabilidade de São Paulo, o Tinbot gere informações referentes a imposto de renda, enquanto uma rede de bancos de Maringá usa o robô como auxiliar de gestor. O robô lê indicadores e responde perguntas dos funcionários. Por exemplo, se alguém quiser saber como está o progresso mensal na meta de vendas, o Tinbot faz o reconhecimento facial da pessoa, acessa os dados da empresa e responde o porcentual atingido até aquele momento.

Embora os usos apresentados sejam empresariais, Marco diz que a plataforma de programação que acompanha o robô é simples, para permitir que pessoas que não sejam programadores consigam fazer o Tinbot funcionar.

"A gente criou uma linguagem de programação própria para ele chamada Tico-Tico. Queremos que seja bem fácil para que qualquer pessoa possa programar o robô. Não depende de ser alguém da área de tecnologia. Você escreve em português o que você quer que ele fale e no meio da sua fala você vai colocando emoticons. Esses emoticons viram expressões do Tinbot. Então se eu falo bom dia e escrevo um sorrisinho, ele vai falar bom dia e vai sorrir. A gente fez para que qualquer equipe de marketing, administrativo consiga programar, não precise de alguém de tecnologia", explicou.

Para quem quiser fazer algo mais complexo, o Tinbot é capaz de atender as demandas. O robozinho brasileiro fala (capacitado com síntese de voz), ouve (torna voz em texto e compreende a fala humana), reconhece faces e expressões. Mais funções de inteligência artificial, como aprendizado de máquina, ainda não estão disponíveis, mas Marco e sua equipe querem implementar essas habilidades no robô 100% brasileiro: "Isso é um passo mais longo que esperamos ter um dia".

Tinbot é demonstrado na WTM18

UOL Notícias